O Museu Nacional de Etnologia em Lisboa tem no seu acervo várias peças marajoara provenientes de uma recolha encomendada pelo próprio Museu nos anos 60 do século XX, as quais se encontram atualmente expostas nas “Galerias da Amazônia”. A expedição à ilha do Marajó foi realizada pelo colecionador e arqueólogo amador português Victor Bandeira, acompanhado por sua esposa Françoise Carel-Bandeira, tendo sido escavada uma necrópole da fase Marajoara situada no sítio d’ “Os Camutins”, na região do rio Anajás. Como objetivo principal deste trabalho, procurei entender as motivaçõesque conduziram à escolha dos objetos trazidos para Portugal e que poderiam, segundo o protagonista da expedição, representar a cultura marajoara no museu português. Esta questão é investigada através do testemunho de Victor Bandeira. Segundo as informações reunidas, entende-se que na recolha abordada, a perspectiva colecionista ultrapassa a arqueológica. Isto permite-me refletir sobre o próprio ato de colecionar, assim como sobre a relação do colecionador com os objetos que reúne, dentro do domínio específico constituído pelos artefatos das culturas pré-colombianas. Palavras-chave: cerâmica marajoara, Museu Nacional de Etnologia,colecionismo.
Biografia do Autor
Joanna Troufflard, Instituto de Arqueologia e Paleociências das Universidades Nova de Lisboa e do Algarve
Instituto de Arqueologia e Paleociênciasdas Universidades Nova de Lisboa e doAlgarve, PortugalColaboradora do Laboratório de ArqueologiaCurt Ninuendajú, Santarém, Pará